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Dentro da Baleia (2026): mergulhando no luto e na claustrofobia - Crítica

Por Rennan Gardini 14/10/2026 15:02 - há 3 horas
Dentro da Baleia (2026): mergulhando no luto e na claustrofobia - Crítica

O luto é um tema que vem sendo muito explorado pelo cinema de terror ultimamente, talvez por conta do sucesso de Hereditário (2018). Aqui, esse tema encontra uma ambientação inusitada: literalmente dentro de uma baleia.

Dentro da Baleia tem uma proposta bastante simples. Suas ideias ficam claras desde o início e se mantêm firmes até o final da rodagem, mas isso acaba sendo também um de seus defeitos. Ainda assim, o filme consegue entregar tensão e uma atmosfera claustrofóbica o suficiente para proporcionar uma experiência memorável na sala de cinema.

Após a morte do pai, o jovem mergulhador Jay Gardiner (Austin Abrams) retorna para casa em busca de seus restos mortais. Durante um mergulho, ele acaba engolido por um cachalote e fica preso dentro do animal. Buscando uma saída, Jay precisa lidar não apenas com a situação claustrofóbica, mas também com o luto e as memórias de uma relação extremamente complicada.

Midia da materia

O roteiro não perde tempo em estabelecer o luto do protagonista e de sua família. A temática está presente durante todas as quase duas horas de filme, de modo que as provações físicas pelas quais Jay passa têm uma conexão direta com a relação do protagonista com seu pai, Mitt (Josh Brolin).

Uma das qualidades do texto está em não romantizar uma relação tóxica. Mitt era um homem complicado, e Jay tinha muitos problemas com ele. Isso, porém, não diminui o impacto do luto sobre o protagonista; pelo contrário, o acentua!

Apesar de o tema ser bem explorado, ele é martelado inúmeras vezes no espectador por meio de uma enxurrada de momentos expositivos, algo que parece acompanhar Austin Abrams em seus projetos, talvez pela naturalidade com que o ator entrega falas em cenas nas quais está sozinho. Resident Evil apresentava o mesmo problema.

Midia da materia

A narrativa se estrutura entre os momentos dentro da baleia e os flashbacks da relação entre os dois personagens. Essa alternância mantém a trama fluida e abre espaço para a montagem brilhar, mas conveniências narrativas e soluções fáceis impedem que o roteiro atinja seu verdadeiro potencial.

Apesar disso, a direção de Brian Duffield (Ninguém Vai Te Salvar) é competente e inventiva. O cineasta utiliza a imensidão do oceano e as cenas dentro e fora da baleia para dar ritmo à narrativa. A claustrofobia e a talassofobia são responsáveis por grande parte da tensão, enquanto a câmera na mão proporciona a sensação de assistir a um documentário sobre a vida marítima. Esse efeito é complementado por planos-detalhe do animal e do protagonista, que colocam o espectador ao lado de Jay dentro da baleia. A atmosfera ganha ainda mais força com o excelente trabalho de som, que mistura os ruídos dos animais marinhos com a trilha sonora e o desespero na voz de Austin Abrams.

Aliás, o filme funciona muito por conta de seus protagonistas. Austin Abrams vem se estabelecendo como um dos queridinhos do cinema de terror e, depois de Weapons e Resident Evil, mostra que é capaz de carregar grandes projetos com seu carisma (o cabra tá sempre em alguma situação difícil). Abrams dá a Jay uma tristeza misturada a um ressentimento aparente, sem perder o lado divertido que costuma trazer para seus personagens. O luto é visível no personagem, e o ator o carrega como um peso do qual Jay é incapaz de se livrar. Josh Brolin trabalha com os resquícios de um homem doente, alcoólatra e frustrado com a própria situação. Mitt poderia ser um personagem insuportável, mas Brolin faz dele alguém simplesmente complicado. O filme depende da relação entre esses dois personagens para funcionar, e os atores entregam muito nesse aspecto!

Midia da materia

O elenco ainda conta com Elisabeth Shue, Emily Rudd e Jane Levy, mas o roteiro não oferece espaço para desenvolver os demais personagens, que acabam ficando bem rasos.

Um dos maiores acertos do filme está no uso dos efeitos visuais, certamente um dos melhores trabalhos de CGI do ano! O peso da baleia e a dimensão das situações no fundo do mar são sentidos ao longo de todo o filme, especialmente nos momentos em que esses elementos ganham destaque. A cena em que Jay é engolido é um dos grandes destaques da produção, uma sequência verdadeiramente memorável!

Dentro da Baleia tem seus defeitos, mas é um filme simples e memorável sobre uma situação extrema. O carisma do protagonista e a excelência dos aspectos técnicos compensam os tropeços do roteiro e fazem da produção uma experiência que merece ser vivida na sala de cinema.

Confira o trailer legendado do filme