Movimentos sociais, especialistas e religiosos concordaram, durante o seminário "Águas e Lixo não combinam" sobre a importância dos igarapés, que a despoluição desses canais passa pela coleta e pelo tratamento do esgoto.
Além disso, cobraram da concessionária Águas de Manaus a ampliação dos investimentos em estações de esgoto e exigiram que o município fiscalize o contrato de privatização.
O evento ocorreu na última sexta-feira (18) no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e foi organizado pela Arquidiocese de Manaus, com a participação de outras denominações religiosas, como a Igreja Anglicana em Manaus.
A professora doutora de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rosana Barbosa, adverte que, sem a interrupção do descarte de esgoto nos igarapés, o recolhimento de toneladas de lixo desses afluentes será inútil.
Ela projeta que uma política de despoluição só trará resultados a longo prazo, mas pondera que nem tudo está perdido, pois a maioria das nascentes ainda está preservada.
O reverendo Iuri Lima, da Igreja Anglicana, reconhece que a privatização do sistema de água e esgoto de Manaus, ocorrida no ano 2000, influenciou a demora para a universalização do tratamento de esgoto.
Ele lembra que a Igreja Anglicana é contra a "mercantilização dos dons de Deus", como a água.
O coordenador da Comissão Interinstitucional e Comunitária em Defesa dos Igarapés, ligada à Arquidiocese de Manaus, Bibiano Filho, entende que, se a sociedade não se organizar em suas várias frentes, os igarapés continuarão poluídos.
O contrato original que deu início à privatização do saneamento em Manaus, no ano 2000, tinha metas claras: a cidade deveria atingir 31% de cobertura de esgoto até 2006, chegando a 90% em 2021.
Para o abastecimento de água, o objetivo era cobrir 98% da capital. No entanto, esse cronograma foi afrouxado por dois termos aditivos assinados nas gestões dos ex-prefeitos Serafim Corrêa e Amazonino Mendes.
A Águas de Manaus, controlada pela Aegea, começou a atuar na capital amazonense em 2018, quando adquiriu a Manaus Ambiental. Na época, apenas 12,43% do esgoto da capital era tratado, segundo o Instituto Trata Brasil. Nos últimos oito anos, o índice de tratamento de esgoto saltou para 40%, conforme dados da própria concessionária.