Em quase 30 anos, o Estado do Amazonas tomou emprestado praticamente o mesmo valor registrado na dívida ativa. O levantamento é da BandNews Difusora FM com base em informações do Sadipem, plataforma do Tesouro Nacional.
Entre 2002 e 2026, o estado tomou mais de R$ 14,960 bilhões emprestados, enquanto os débitos registrados na fazenda estadual cresceram para o patamar de R$ 14,176 bilhões, conforme dados de 2025 da Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas (Sefaz).
Em 24 anos, a gestão que mais obteve esses recursos com bancos nacionais e internacionais foi a do ex-governador Wilson Lima (União Brasil). De 2019 a 2026, a gestão de Wilson acessou R$ 8,287 bilhões.
Na gestão do ex-governador e atual senador Omar Aziz (PSD), o volume de empréstimos foi de R$ 3,382 bilhões — o segundo maior montante no período. As operações de crédito ocorreram entre 2011 e 2014.
O também ex-governador e senador Eduardo Braga (MDB) recorreu a operações de crédito. Foram captados mais de R$ 2,210 bilhões entre 2003 e 2010.
No três anos de gestão do governador cassado José Melo, houve mais R$ 779,400 milhões em créditos concedidos por credores entre 2016 e 2017.
Os empréstimos foram obtidos para aumentar a capacidade de investimento do estado, mas também para rolar a dívida com juros mais baixos.
À BandNews Difusora FM, o vice-governador Serafim Corrêa (PSB) reconheceu que o dinheiro devido por contribuintes — pessoas físicas e jurídicas — registrados na dívida ativa faz falta no orçamento do estado.
Ele justifica que, por isso, existem essas operações para que ocorram investimentos em obras e políticas públicas, considerando que os recursos do orçamento, isoladamente, não são suficientes.
O economista Mourão Júnior avalia que a alta dos juros, hoje em 14%, prejudica a arrecadação do estado, uma vez que aumenta o endividamento das empresas e das famílias.
Os maiores devedores da dívida ativa são Petrobras, Ambev, Amazonas Distribuidora de Energia S.A. e Brasfanta Indústria e Comércio da Amazônia Ltda. (em recuperação judicial), cujos débitos somados representam mais de 25% do volume total devido.