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Política

Eleições 2026: 2,8 milhões de pessoas devem votar neste domingo; especialistas analisam perfil do eleitorado no AM

Por Redação e Caio Fonseca 03/10/2026 12:35 - há 5 horas
Eleições 2026: 2,8 milhões de pessoas devem votar neste domingo; especialistas analisam perfil do eleitorado no AM

Por Caio Fonseca

No Amazonas, 2 milhões, 801 mil e 182 eleitores estão aptos a participar das eleições de 2026.

É um número que cabe numa estatística, mas reúne milhões de histórias, necessidades e maneiras diferentes de enxergar o estado.

Nesse retrato, as mulheres são maioria.

Elas representam pouco mais de 51% do eleitorado e são quase 80 mil a mais que os homens.

A diferença parece suficiente para transformar o voto feminino em uma força decisiva. Mas a matemática eleitoral não é tão simples.

Uma mulher jovem que vive em Manaus não necessariamente enxerga a eleição da mesma maneira que uma mulher mais velha que mora no interior. Renda, religião, escolaridade, raça e o lugar onde cada pessoa vive também atravessam a decisão do voto.

Para o doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de São Carlos, Ludolf Waldmann Júnior, olhar apenas para gênero ou qualquer outra característica isoladamente pode esconder diferenças importantes dentro do próprio grupo.

A idade acrescenta outra camada a esse retrato.

A maior faixa individual do eleitorado amazonense está entre 25 e 29 anos, com aproximadamente 338 mil pessoas. Outros 316 mil têm entre 30 e 34 anos.

É uma geração que chega à eleição cercada por uma quantidade de informação que não existia com a mesma intensidade há poucos anos.

O estatístico João Alves, que atua no segmento de pesquisas eleitorais, chama atenção para o volume de informações que hoje chega principalmente aos eleitores mais jovens.

Mas talvez uma das maiores diferenças entre os eleitores amazonenses não esteja na idade ou no gênero.

Está no mapa.

Manaus reúne 1 milhão, 472 mil eleitores, pouco mais de 52% de todo o eleitorado do Amazonas.

Do outro lado dessa conta estão quase 48% dos votos, distribuídos pelos outros 61 municípios.

São eleitores separados não apenas por quilômetros.

Acesso a serviços públicos, oportunidades econômicas, presença do Estado e até a maneira como a política chega ao cotidiano mudam entre a capital e as diferentes regiões do interior.

Para Ludolf Waldmann Júnior, essa distância também aparece no comportamento eleitoral.

Há ainda um Amazonas que aparece com cada vez mais força nas estatísticas eleitorais.

O estado tem cerca de 73 mil e 500 eleitores indígenas, o maior contingente do Brasil.

O número é quase duas vezes o registrado nas eleições municipais de 2024.

Isso não significa, que o Amazonas tenha ganhado dezenas de milhares de novos eleitores indígenas em apenas dois anos.

A informação sobre raça e etnia depende da autodeclaração do próprio eleitor, e mudanças e atualizações no cadastro ajudam a tornar visível uma parcela da população que antes não aparecia dessa forma nas estatísticas eleitorais.

João Alves avalia que também existe hoje maior disposição para assumir essa identidade no momento da declaração.

Mulher ou homem. Jovem ou idoso. Indígena, pardo, preto ou branco. Da capital ou do interior.

As estatísticas ajudam a desenhar o Amazonas que vota, mas não são capazes de dizer, sozinhas, como esse Amazonas vai votar.

Porque grupos podem formar maiorias no cadastro eleitoral sem formar maiorias políticas.

Nos números, são mais de 2 milhões e 800 mil eleitores. Na urna, cada um chega com a própria história.