Manaus teve nesta quarta-feira a pior manhã do ano em qualidade do ar. Em algumas regiões, a concentração de partículas poluentes passou de 200 microgramas por metro cúbico.
O limite considerado aceitável é 25.
Setembro já soma 3 mil 240 focos de queimadas no Amazonas, mais do que todos os outros meses de 2026 juntos.
Mas, enquanto a fumaça volta a fazer parte da rotina da população, o que os candidatos ao Governo estão propondo para enfrentar o problema?
O professor Sérgio Gonçalves, chefe do Departamento de Ciências Florestais da Ufam, explica que drones, satélites e outras tecnologias são importantes para monitoramento e resposta. Mas diz que uma política permanente precisa ir além.
Ao analisar os planos registrados pelos sete candidatos ao governo do Amazonas. Pela ordem alfabética, Cabo Daciolo prevê bases temporárias durante os períodos críticos, brigadas especializadas e equipes regionais de pronta resposta. Também propõe ampliar equipamentos e a capacidade do Corpo de Bombeiros para atuar em incêndios florestais.
David Almeida propõe criar uma Política Estadual de Prevenção e Combate às Queimadas e ao Desmatamento. O plano reúne prevenção, educação ambiental, fiscalização, tecnologia e inteligência artificial.
Gilberto Vasconcelos propõe combater o desmatamento e fortalecer a fiscalização ambiental e a estrutura do IPAAM. Nas 23 páginas do programa, porém, não há uma política específica de prevenção e combate às queimadas, com brigadas, bases de resposta ou sistemas de alerta.
Isael Munduruku prevê brigadas comunitárias, indígenas, extrativistas, rurais e urbanas, além de bases regionais equipadas, drones e uma sala de situação para reunir alertas meteorológicos e focos de calor. O plano também estabelece como indicador reduzir o tempo entre a detecção do incêndio e a primeira resposta.
Maria do Carmo concentra a proposta no monitoramento. O plano, de nove páginas, prevê satélites, drones e análise de dados contra desmatamento e queimadas.
Omar Aziz propõe cinco salas regionais de monitoramento, operações integradas, drones, satélites, alerta precoce e brigadas indígenas. Também promete criar planos municipais de prevenção e combate às queimadas nos 62 municípios.
Fechando a lista, Roberto Cidade propõe fortalecer a Defesa Civil, ampliar o monitoramento climático e os sistemas de alerta e criar um plano permanente para cheias e estiagens.
Mas o programa não apresenta uma política específica de prevenção e combate às queimadas.
O professor Sérgio Gonçalves explica que são os Planos de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas municipais, integrado ao Governo Estadual e Federal, que vão permitir organizar ações antes mesmo da chegada do período mais seco.
O diretor e pesquisador do INPA, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Henrique Pereira, lembra que as políticas públicas precisam levar em consideração o fator humano e que esse aspecto é peça chave.
E a fumaça que cobriu Manaus nesta quarta-feira lembra que, para o próximo governador, essas propostas não estarão restritas ao papel. O período crítico das queimadas volta todos os anos.