Uma manifestação promovida pelo Fórum das Águas marcou os 26 anos de privatização do sistema de tratamento de água e esgoto de Manaus.
O ato ocorreu neste sábado (4) ao lado da sede administrativa da Águas de Manaus, na Avenida André Araújo, Petrópolis.
O protesto reuniu movimentos sociais, como a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua). Durante a manifestação, houve críticas à gestão privada e pedidos de reestatização do serviço pela Prefeitura de Manaus.
Membro da coordenação executiva do Fórum das Águas e militante do Movimento dos Atingidos por Barragens no Amazonas, Isaac Lima disse que, durante o período de privatização, a universalização do serviço patinou. Ele defendeu que o saneamento seja feito pelo município.
O padre católico e membro da coordenação executiva do mesmo movimento, Sandoval Rocha, que pesquisou sobre a luta pelo acesso à água na Amazônia, também pregou o resgate do sistema pela prefeitura e propôs uma gestão participativa e cidadã do serviço.
O dia 4 de julho foi a data em que o então governador Amazonino Mendes privatizou a atuação da estatal Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama) em Manaus, quando o grupo francês Lyonnaise Des Eaux assumiu a gestão por meio da Águas do Amazonas.
O contrato original que deu início à privatização do saneamento em Manaus, no ano 2000, tinha metas claras: a cidade deveria atingir 31% de cobertura de esgoto até 2006, chegando a 90% em 2021.
Para a água, o objetivo era cobrir 98% da capital. No entanto, esse cronograma foi afrouxado por dois termos aditivos assinados nas gestões dos ex-prefeitos Serafim Corrêa e Amazonino Mendes.
A Águas de Manaus, controlada pela Aegea, começou a atuar na capital amazonense em 2018, quando adquiriu a Manaus Ambiental. Na época, apenas 12,43% do esgoto da capital era tratado, segundo o Instituto Trata Brasil. Nos últimos oito anos, o índice de tratamento de esgoto saltou para 40%, conforme dados da própria concessionária.