A seca na Amazônia atingiu 38% das áreas habitadas no último El Niño. O dado é do MapBiomas e serve de alerta para o que esperar do fenômeno neste ano de 2026.
A área corresponde a mais de um terço do território em que existem ocupações humanas na Amazônia, segundo estudo divulgado nesta sexta-feira (4) pelo Mapbiomas, rede multi-institucional que produz mapas anuais de uso e cobertura da terra do Brasil.
Entre as 5.673 localidades habitadas na região, 2.172 sofreram de forma intensa com o fenômeno.
O El Niño ocorre quando as águas da superfície do Oceano Pacífico Tropical ficam mais quentes que o normal. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e interfere no regime de chuvas.
Na Amazônia, o fenômeno costuma provocar menos chuva, períodos de seca e aumento das temperaturas.
Entre setembro e novembro de 2024, a Amazônia registrou 27% menos chuva que a média histórica, enquanto a temperatura máxima ficou 2,6 graus acima do normal. A superfície de água também ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média.
O cenário afeta principalmente o transporte, o acesso à água e a pesca.
O estudo também observou os efeitos do fenômeno sobre diferentes tipos de ocupação humana, como núcleos urbanos, rurais, territórios indígenas, quilombolas, assentamentos e outras categorias.
De acordo com os pesquisadores, as populações desses lugares foram fortemente atingidas pelos efeitos do El Niño, já que 93% dos locais analisados, 5.273 localidades, ficam a uma distância de até 5 quilômetros das áreas que sofreram redução da superfície de água.