Uma empresa que aparece em investigações sobre contratos rodoviários do DNIT em outros estados foi escolhida para executar uma das maiores obras previstas atualmente na BR-319, no Amazonas.
A LCM Construção e Comércio, de Belo Horizonte, venceu a licitação para recuperar e asfaltar 86,9 quilômetros do Trecho do Meio da rodovia, entre os quilômetros 346 e 433, em Manicoré.
O contrato é de 402 milhões e 400 mil reais. O resultado da licitação foi homologado pelo DNIT no Amazonas.
A LCM é hoje a empresa com o maior volume de contratos para obras rodoviárias no atual governo Lula. São 128 contratos com o DNIT, em 22 estados, que somam 8 bilhões e 300 milhões de reais.
Ao mesmo tempo, a construtora aparece em investigações da Polícia Federal e em apurações da Controladoria-Geral da União e do Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, envolvendo contratos e licitações em outros estados.
Entre os casos estão suspeitas de formação de cartel e de irregularidades em obras rodoviárias.
Até agora, porém, não há indicação de irregularidade na licitação vencida pela LCM para a BR-319.
Nós questionamos o DNIT se esse histórico de investigações foi considerado na análise da empresa e se poderia interferir na contratação para a rodovia amazonense.
O departamento respondeu que a LCM apresentou a documentação exigida e cumpriu as condições técnicas, financeiras e jurídicas previstas no edital.
O DNIT explicou ainda que uma empresa pode participar da licitação se não houver sanção ou impedimento válido para aquela contratação e se cumprir as demais exigências.
Outro ponto chama atenção. A proposta da LCM foi apenas a oitava analisada. As sete empresas que apareceram antes dela foram desclassificadas.
Perguntamos ao DNIT por quê. O departamento respondeu que essas empresas deixaram de cumprir exigências do edital e que os motivos de cada desclassificação estão registrados no processo da licitação.
Também questionamos como será feita a fiscalização de um contrato de mais de 400 milhões de reais. O DNIT afirma que equipes técnicas vão acompanhar a obra, conferir o que foi executado e verificar as medições apresentadas pela construtora.
Segundo o órgão, a LCM só receberá pelos serviços depois que o DNIT confirmar que o trabalho foi realmente executado e aprovar a medição.
Pelo tamanho do contrato, a empresa também terá que manter um programa interno de controle e prevenção de irregularidades durante a obra.
O lote vencido pela LCM é apenas uma parte do Trecho do Meio. Quatro licitações abertas pelo Governo Federal abrangem, juntas, aproximadamente 340 quilômetros da BR-319.
A rodovia liga Manaus a Porto Velho e é a principal conexão rodoviária do Amazonas com o restante do país.
A reportagem também procurou a LCM e pedimos explicações sobre as investigações envolvendo a empresa e sobre a execução do contrato da BR-319. Até o momento, aguardamos resposta da construtora.
Veja a nota na íntegra da LCM Construção e Comércio S/A:
A LCM Construção e Comércio S/A é uma tradicional empresa mineira de construção pesada, nacionalmente reconhecida por sua qualidade técnica e excelência na entrega dos serviços de engenharia. Possui amplo programa de integridade e compliance, rigorosamente observado por todos os seus colaboradores.
A companhia esclarece ter sido declarada vencedora do Pregão Eletrônico n. 90128/2026-47, regularmente promovido pela Superintendência Regional do DNIT no Amazonas para obras de melhorias no pavimento da Rodovia BR-319/AM. Homologado o certame, aguarda-se a convocação do órgão para a assinatura do contrato, motivo pelo qual não há previsão de início das obras.
Eventuais questionamentos sobre suas atividades têm sido prontamente esclarecidos perante os órgãos competentes, de modo a atestar a absoluta lisura de sua atuação.