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Comissão da OAB-AM vê indícios de racismo religioso em ação da PM que recolheu instrumentos sagrados de matriz africana

Por Jefferson Ramos 30/06/2026 15:09 - há 23 horas
Comissão da OAB-AM vê indícios de racismo religioso em ação da PM que recolheu instrumentos sagrados de matriz africana

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas aponta que a ação da Polícia Militar contra um templo de matriz africana, na Zona Norte de Manaus, teve fortes indícios de intolerância e racismo religioso.

A declaração foi dada à BandNews Difusora FM pela presidente da comissão, a advogada Alessandrine Silva.

A jurista cobra do Ministério Público do Estado uma apuração independente sobre a atuação dos policiais militares.

A ação ocorreu na noite do último sábado, dia 27, durante a cerimônia tradicional de Tambor de Mina realizada no templo AJIGBE Eira de Mina Jeje-Nagô Nossa Senhora da Conceição, localizado no bairro Cidade Nova.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram a polícia chegando ao local para atender a uma suposta denúncia de perturbação do sossego. A equipe foi recebida pelo sacerdote Heriberto Júnior, responsável pela casa, que se identificou como advogado — momento em que a abordagem ficou mais tensa.

Após a discussão inicial, os policiais forçaram a entrada no templo sem a apresentação de um mandado judicial, interrompendo a cerimônia litúrgica. Eles recolheram os instrumentos sagrados e os colocaram no camburão da viatura.

Os instrumentos e os líderes religiosos foram conduzidos até o Sexto Distrito Integrado de Polícia, onde foram liberados imediatamente, sem qualquer registro de ocorrência.

Em nota, o Templo Tambor de Mina Nossa Senhora da Conceição - Caboclo Surupiro informou que o primeiro contato com a PM foi cordial e respeitoso, e que houve colaboração.

A nota explica que o ritual é realizado apenas uma vez ao ano, sem aparelhos de amplificação de som, e já estava na fase de encerramento. Mesmo assim, segundo o texto, o superior hierárquico da equipe policial agiu com autoritarismo e desrespeito.

Também em nota oficial, a Polícia Militar do Amazonas anunciou a abertura de um inquérito policial militar para apurar o caso.

A corporação reforçou que não tolera qualquer ato de discriminação, ofensa ou violência motivada por crença ou religião, e assegurou que, caso sejam constatadas irregularidades, serão adotadas as medidas administrativas e legais cabíveis.