Um sistema de monitoramento é implementado no Amazonas para antecipar os impactos de novas secas extremas e proteger os botos dos rios e lagos da região.
O projeto “Lagos Sentinelas da Amazônia” é liderado pelo Instituto Mamirauá e reúne 17 instituições e cerca de 70 pesquisadores. Sensores, imagens de satélite e estações meteorológicas acompanham a temperatura e as condições dos ambientes aquáticos.
Mais de 200 moradores de 52 comunidades ribeirinhas também participam como sentinelas ambientais, levando aos pesquisadores informações coletadas diretamente nos territórios.
A iniciativa ganhou força após as secas históricas de 2023 e 2024. No lago Tefé, 209 botos morreram durante um período de calor extremo, quando a temperatura da água chegou a 40,9°C.
Agora, 12 botos-vermelhos receberam transmissores via satélite para que os cientistas possam acompanhar seus deslocamentos e entender como os animais reagem às mudanças nos rios e lagos.
Estudos apontam tendência de aquecimento dos lagos amazônicos nas últimas décadas, enquanto o avanço do El Niño aumenta a preocupação com temperaturas elevadas e redução das chuvas em partes do País.
O objetivo é antecipar situações de risco e reduzir a mortalidade da fauna.
O plano prevê sistemas de alerta, treinamento de equipes e comunidades e protocolos de emergência para enfrentar novos episódios de seca e calor extremo no Amazonas.