Em 17 anos o número de onças-pintadas fêmeas caiu 77% na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas.
O dado faz parte de um estudo do Instituto Mamirauá, em parceria com a organização internacional Panthera, que alerta para os riscos à reprodução da espécie, mesmo com a população total permanecendo estável em cerca de 610 animais.
A pesquisa que revela dados referente entre 2005 e 2022, foi publicada na revista científica britânica ( Journal of Applied Ecology), que mostra o aumento no número de machos tem mascarado a redução das fêmeas, consideradas fundamentais para a manutenção da população. Segundo os pesquisadores, esse cenário pode indicar um futuro declínio da espécie na região.
Entre as hipóteses para a queda estão a caça de machos, que favorece a entrada de novos indivíduos vindos de outras áreas, e o infanticídio, quando machos recém-chegados matam filhotes para que as fêmeas retornem ao período reprodutivo.
O estudo também investiga a influência de doenças infecciosas, como o vírus da leucemia felina, da cinomose, do Nilo Ocidental e da Encefalite de Saint Louis (ESL), e da Leucemia Felina (FeLV)
Para o diretor técnico-científico do Instituto Mamirauá, Emiliano Ramalho, a redução contínua das fêmeas pode levar ao colapso da população no futuro. Como resposta, o instituto pretende intensificar o trabalho com as comunidades locais para ampliar as ações de conservação.
Apesar do alerta, o levantamento destaca que as florestas de várzea de Mamirauá continuam entre os principais refúgios da onça-pintada no mundo, com uma das maiores densidades da espécie já registradas.