O município de Boca do Acre, no sul do Amazonas, possui o maior número de conflitos no campo registrados em 2025, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
A cidade contabilizou 38 ocorrências, quase quatro vezes mais que Lábrea, segunda colocada, com 10 casos. Na sequência aparecem Benjamin Constant, Manaus e São Paulo de Olivença, com cinco registros cada.
O levantamento, divulgado nesta terça-feira (9) no relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, aponta que o Amazonas registrou 98 conflitos ao longo do ano. Do total, 89 estão relacionados à disputa por terras, sete envolvem conflitos pela água e dois são casos de trabalho escravo.
As ocorrências afetaram quase 24 mil famílias em todo o estado. Entre as principais violações registradas estão ameaças de expulsão, invasões de territórios, desmatamento ilegal, pistolagem e omissão do poder público. Os indígenas e posseiros aparecem entre os grupos mais atingidos.
Nos conflitos pela água, cerca de 5,1 mil famílias foram impactadas por problemas como poluição, contaminação por minério, pesca predatória e restrições de acesso aos recursos hídricos.
O relatório também registra episódios de violência contra pessoas, incluindo agressões, intimidações e tentativas de assassinato. Entre os casos mais graves estão as mortes de dois posseiros em Boca do Acre e Lábrea, municípios localizados na região da Amacro, considerada uma das áreas mais pressionadas pelo avanço da fronteira agropecuária na Amazônia.