Cinco meses após a morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, que recebeu medicação errada em um hospital particular de Manaus, os pais reforçam a cobrança por justiça e mais rapidez nas investigações.
O caso, que gerou forte comoção nacional, ganhou novos desdobramentos com a conclusão do inquérito policial.
Apesar do avanço, a família afirma que ainda enfrenta um processo lento em busca de responsabilização dos envolvidos é o que diz a mãe de Benício, Joyce Xavier.
A Polícia Civil indiciou dois diretores do Hospital Santa Júlia, Antônio Guilherme Lopes de Macedo e Edson Sarkis Júnior, por homicídio culposo.
Segundo a investigação, eles são apontados como responsáveis por falhas na administração da unidade no momento do atendimento ao menino. A polícia também solicitou o afastamento dos gestores das funções.
Além dos diretores, também foram indiciadas a médica responsável pela prescrição e a técnica de enfermagem que aplicou a medicação.
Um laudo pericial confirmou que Benício foi vítima de um “erro médico grosseiro”, com aplicação de uma dose letal de adrenalina diretamente na veia, procedimento considerado inadequado para o quadro apresentado.
De acordo com a apuração, o menino deu entrada no hospital em novembro de 2025 com sintomas leves de laringite, sem sinais de gravidade. Ainda assim, a médica Juliana Brasil prescreveu adrenalina por via intravenosa, quando o indicado seria o uso por inalação.
A técnica de enfermagem Raiza Bentes chegou a ser questionada pela mãe da criança sobre a forma de administração da medicação, mas manteve o procedimento. A aplicação incorreta provocou uma overdose, levando à morte do menino.
O inquérito também revelou uma série de falhas estruturais no hospital. No dia do atendimento, havia apenas três enfermeiros e nenhum farmacêutico para atender cinco setores distintos de pronto atendimento, incluindo áreas críticas como pronto-socorro pediátrico e sala vermelha.
A cronologia dos fatos aponta que a medicação foi prescrita de forma equivocada, não passou por revisão adequada e foi administrada sem supervisão de profissional habilitado, em desacordo com normas de segurança.
O pai de Benício, Bruno Freitas descreve a busca por justiça e pela punição dos responsáveis como um processo difícil.
As investigações indicam ainda que a falta de profissionais de saúde para a demanda necessaria era recorrente na unidade, o que pode ter contribuído diretamente para a sucessão de falhas que resultaram na morte da criança.
O caso segue para análise do Ministério Público.