Base Arpão

Combate ao tráfico no Rio Solimões causa prejuízo de 100 milhões de reais a criminosos no AM

Um balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, a SSP, mostra que mais de 100 milhões de reais em drogas e produtos ilícitos foram apreendidos pela Base Fluvial Arpão, em um ano de atividades.

Lançada em agosto de 2020 a Base Arpão fica ancorada em uma comunidade próxima ao município de Coari, a 363 quilômetros de Manaus.

O projeto do Governo do Amazonas, em parceria com o Governo Federal, foi criado para reforçar a segurança em uma área sensível do estado, a chamada rota do rio Solimões, muito utilizada para o transporte de grandes carregamentos de drogas vindas da tríplice fronteira, formada pelo Peru, Colômbia e Brasil.

Segundo o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Louismar Bonates, os crimes reduziram naquela região.

“Ajudamos bastante a população que agora pode voltar a dormir com as janelas abertas, não precisa mais tirar o motor rabeta da popa de sua canoa e acabamos com a criminalidade de pirataria que existia ali” afirmou o secretário.

No entanto, para o especialista em segurança pública, Coronel Walter Cruz, os números são positivos, mas o projeto ainda é insuficiente para acabar com a criminalidade:

“Primeiro, não é possível acabar com a criminalidade apenas com uma base. Segundo, é necessário um investimento maior, não só na parte material, mas também no ser humano. Há a necessidade de termos mais bases, porque é necessário que haja um bloqueio nos rios, por onde o tráfico flui, assim como o controle aéreo – coisa que nunca tivemos”, disse o coronel.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a Base Arpão também reduziu o índice de crimes ambientais cometidos na localidade.

O Coronel Walter Cruz ainda destaca que a expansão da estrutura é fundamental para o combate ao narcotráfico nas regiões de fronteira:

“Ao colocar uma base, Brasil, Peru e Colômbia e obviamente em outros locais que a Secretaria de Segurança Pública sabe que há necessidade. Se isso for feito com investimento em tecnologia, treinamento e principalmente, em planejamento, conseguiremos começar a diminuir a violência e a capacidade das facções”, concluiu o coronel.

Em um ano de ações, foram apreendidas quatro toneladas de drogas, 42 toneladas de pescado ilegal, 79 armas de fogo, 30 embarcações e R$ 239.000. Foram ainda presas 192 pessoas durante as operações.

Reportagem: João Felipe Serrão
Foto: SSP/AM