Projeto em escolas ribeirinhas terá abecedário amazônico e elementos da cultura regional para alfabetizar alunos

Projeto em escolas ribeirinhas terá abecedário amazônico e elementos da cultura regional para alfabetizar alunos

A alfabetização é a base da educação e é fundamental para o desenvolvimento da leitura, escrita e a comunicação de ideias e pensamentos. Em todo Brasil, normalmente esse processo começa com “A” de abelha, “B” de bola, “C” de casa, e assim por diante. Porém, uma iniciativa da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) busca romper com essa metodologia para reforçar os princípios da cultura local em escolas de comunidades ribeirinhas do Amazonas.

O projeto vai permitir que os estudantes possam aprender, por exemplo, o alfabeto com o “A” de açaí, o “B” de boto, “C” de canoa, e assim por diante. Essa ideia foi nomeada como o abecedário amazônico.

A publicação da FAS, intitulada “Bases do Aprendizado para a Alfabetização”, conta com 26 atividades, divididas em sete capítulos que destacam elementos da região amazônica, que vão desde as frutas até a cultura indígena.

O gerente do Programa Educação para a Sustentabilidade da FAS, Anderson Mattos, afirma que o conteúdo permite que os estudantes ribeirinhos se reconheçam nas páginas dos livros didáticos. (ouça)

Aprender com os elementos em volta é uma prática comum entre comunidades indígenas. A líder comunitária da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro, Izolena Garrido, avalia que os livros distribuídos pelo Ministério da Educação são importantes, porém podem excluir a vivência dos alunos amazônidas. (ouça)

A pedagoga Fernanda Delfino afirma que a abordagem com símbolos locais permite um aprendizado mais eficiente para as comunidades ribeirinhas. (ouça)

As publicações com temáticas regionais da Amazônia, que têm uma tiragem de mil exemplares cada, serão destinadas para as secretarias municipais de educação do interior do Amazonas.

Ainda serão promovidos encontros de formação com professores para aprimorar a utilização dos livros.

Reportagem: João Felipe Serrão
Foto: Laryssa Gaynett/FAS