Reportagem: Liandre Coutinho. 

A região amazônica detém a maior diversidade de peixes do mundo, mas muitos deles ainda não possuem nome e uma descrição formal.

Pensando nisso, um grupo de cientistas vai vasculhar as águas e outros ambientes no Amazonas em busca de espécies pouco conhecidas.

É o caso dos peixes-elétricos que pertencem à ordem dos Gymnotiformes.

Os poraquês são os mais populares na região e podem emitir uma descarga elétrica de 860 volts, mas outras 250 espécies dessa ordem são peixinhos alongados que emitem sinais elétricos fracos.

O coordenador do projeto e professor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, Naercio Menezes, como os choques elétricos são produzidos.(Ouça)

Segundo o pesquisador, os esses sinais são utilizados para a comunicação e navegação desses peixes.(Ouça)

Uma espécie com essas características é Iracema caiana, coletada uma única vez em 1968 e nunca mais encontrada.

VINTE pessoas estão a bordo da embarcação Comandante Gomes, que vai subir o rio de Manaus (AM) até Santa Isabel do Rio Negro. A viagem deve durar duas semanas.

A expedição é parte do projeto “Diversidade e Evolução de Gymnotiformes”.

O trabalho envolve diferentes entidades, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o Museu Nacional de História Natural (NMNH), da Smithsonian Institution, nos Estados Unidos.

Para o coordenador do projeto, os vários anos de dedicação são essenciais para sensibilizar a população sobre a preservação das espécies nos ambientes em que elas vivem.(Ouça)

Um dos objetivos da viagem é coletar pequenas amostras de material para entender as diferenças genéticas dentro das várias populações de uma mesma espécie.

Devido à seca severa registrada na região, os peixes ficaram em áreas mais restritas, o que “facilita” esse processo, segundo Naercio Menezes.(Ouça)

O barco utilizado é semelhante ao que foi usado em uma série de expedições realizadas nos anos 1990 e a trajetória é parecida com a percorrida pelo naturalista Alfred Russel Wallace, coautor da teoria da evolução.

Uma grande expectativa do grupo é coletar novos exemplares de Iracema caiana, o peixe-elétrico misterioso que foi encontrado pelo pesquisador Tyson Roberts em 1968.

Atualmente, os únicos cinco indivíduos conhecidos dessa espécie estão no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

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