Hospital em Parintins afirma que deixa de atender pelo SUS nesta sexta se não tiver resposta sobre repasses; Prefeitura diz estar em dia

O Hospital Padre Colombo, em Parintins, diz que a partir desta sexta-feira (1º), os serviços da unidade serão suspensos para os usuários do SUS, caso a Prefeitura Municipal não se posicione sobre repasse dos recursos do convênio entre as instituições.

A gestão da unidade acrescenta ainda que, caso isso aconteça, os servidores públicos municipais que atuam no hospital passam a ser de responsabilidade da prefeitura.

As informações constam em ofício enviado pelo procurador geral do Hospital Padre Colombo, Padre Mauro Romanello, ao prefeito da cidade, Bi Garcia e a outros órgãos públicos municipais.

Segundo o documento, os recursos enviados à unidade hospitalar pelo poder público cobriram todos os atendimentos do Hospital, referentes ao SUS, até o dia 07 de setembro de 2021.

A unidade hospitalar alega que, mesmo sem remuneração ou cobertura contratual, por parte das gestões estadual e municipal, continuou prestando os serviços para a população parintinense, no entanto, a assistência aos usuários do SUS acabou sendo prejudicada pela falta dos repasses públicos.

Ainda conforme a gestão do Padre Colombo, a unidade não recebeu o repasse das parcelas do teto MAC referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro, apesar de já ter alertado o município oficialmente.

Também foram informados o Ministério Público do Amazonas, a Defensoria Pública de Parintins, as secretarias de saúde municipal e estadual, além do Conselho municipal da cidade.

No ofício, o Hospital Padre Colombo ressaltou que tem interesse em continuar prestando os serviços para a população do municipio, sendo necessário suporte da prefeitura, mas até o momento não teve resposta por parte do município.

Prefeitura de Parintins rebate e diz que está em dia com os repasses

Em nota oficial, a Prefeitura de Parintins afirma que somados os repasses federais, estaduais e municipais, o hospital Padre Colombo recebe mensalmente mais de 1 milhão de reais (R$ 1.584.950,00).

Além disso, o Município afirma que disponibiliza 62 servidores, sendo 10 médicos especialistas (R$ 330.800,00).

Ainda conforme a prefeitura municipal, foi determinado pelo próprio hospital Padre Colombo que, desde o dia 1 de agosto de 2021, o atendimento materno infantil seria de responsabilidade da entidade filantrópica, com 24 leitos em funcionamento.

Já o hospital Jofre Cohen ficou com a responsabilidade de atender as demandas de ortopedia, clínica médica adulta, clínica cirúrgica e cirurgias eletivas.

A nota diz que os serviços prestados pelo hospital Padre Colombo são necessários para a população de Parintins e afirma que se coloca à disposição para administrá-lo.

Denúncias de violência obstétrica

A situação ocorre após denúncias feitas por pacientes sobre casos de violência obstétrica no Hospital Padre Colombo, que teriam causado as mortes de dois bebês.

A direção do hospital diz que não houve negligência nos casos relatados pelas denunciantes, mas admitiu que tem tido dificuldades no atendimento por causa da alta demanda por procedimentos obstétricos, após a Prefeitura de Parintins desabilitar o serviço às gestantes no hospital Jofre Cohen.

A direção do hospital ressalta que não responsabiliza a prefeitura por qualquer caso denunciado, mas que precisa de suporte para melhorar o atendimento.

O Ministério Público do Amazonas (MPAM) abriu inquérito para apurar os fatos.

Da redação
Foto: Reprodução/Internet