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Especial – O Caso Dom e Bruno: um ano após os assassinatos ninguém foi punido

por Clara Toledo Serafini

Reportagem: Cindy Lopes e Rennan Gardini

É junho de 2023. Um ano após os assassinatos de Dom Phillips e Bruno Pereira na Terra Indígena Vale do Javari.

Até agora ninguém foi condenado, mas a Polícia Federal indiciou 5 pessoas. Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como “Pelado”, Oseney da Costa de Oliveira, o “Dos Santos”- irmão de Pelado – Jeferson da Silva Lima, o “Pelado da Dinha”, Rubens Villar Coelho, o Colômbia; e Jânio Freitas de Souza.

Os dois últimos foram indiciados nesta semana, mas já estavam presos por outros crimes desde o ano passado. Colômbia por falsidade ideológica e Jânio por associação criminosa para pesca ilegal.

As investigações apontam Rubén Villar como o mandante das mortes de Dom e Bruno. Ele também é suspeito de liderar uma organização criminosa de pesca ilegal no Vale do Javari, da qual Jânio e Amarildo faziam parte.

Colômbia já tinha sido descrito em um relatório da Univaja, de março de 2022, como “o maior comprador de peixes e financiador de invasões do território indígena do Vale do Javari”.

Entre os indícios que apontam Colômbia como o mentor intelectual das mortes, a Polícia Federal destacou o fornecimento das munições encontradas para Jefferson e Amarildo e também o pagamento do advogado de defesa dos acusados

Já o pescador Jânio, que conversou com Bruno e Dom pouco antes de eles desaparecerem, é apontado pela polícia como a pessoa que avisou os assassinos sobre o trajeto que a dupla faria de barco.

Amarildo, Oseney e Jefferson foram presos ainda em junho, dias depois dos assassinatos. O trio responde por duplo homicídio e está em presídios federais no Paraná e Mato Grosso. Em maio, no primeiro depoimento à justiça, os réus mudaram a versão contada inicialmente à polícia e passaram a alegar legítima defesa. Em audiência, Pelado, que já tinha confessado ter matado e esquartejado Dom e Bruno, afirmou que o indigenista atirou primeiro. (Ouça)

Mesmo após um ano do duplo homicício, a tensão na região do Vale do Javari ainda é a mesma. A afirmação é do procurador jurídico da Univaja, Eliésio Marubo, que também comenta sobre a continuidade dos trabalhos de Dom e Bruno. (Ouça)

Em uma entrevista exclusiva para esta reportagem, o Coordenador da Equipe de Vigilância da Univaja, geógrafo e indigenista, Carlos Travassos, afirmou que a violência sempre esteve presente na região, mas aumentou com a impunidade do assassinato de Maxciel Pereira dos Santos, em 2019.

Ainda segundo Travassos, o clima no Vale do Javari ainda é pesado, e invasões e ameaças também permanecem. E é justamente sobre essas ameaças que Maria Emília Coelho do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (OPI) comenta.

Ela teve contato direto com o jornalista inglês Dom Phillips, que dedicou a carreira para relatar a crise ambiental, exploração ilegal de recursos naturais e os problemas das comunidades indígenas. Para Maria Emília, quem denuncia corre riscos. (Ouça)

Segundo um levantamento da organização Repórteres sem Fronteiras, desde o assassinato de Dom e Bruno no Vale do Javari, foram registrados 62 casos de violência contra jornalistas, equipes de reportagem ou meios de comunicação na Amazônia.

O presente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas, Wilson Reis, explica que, ainda hoje, casos como de Dom e Bruno estão suscetíveis a se repetir.

Dom Phillips e Bruno Pereira.

Dois nomes que se tornaram sinônimo de resistência de uma luta que não terminou neles.

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