Ensino à distância

Dificuldades na aprendizagem e evasão escolar são relatadas durante retorno das aulas no AM

Dois meses após a retomada do ensino híbrido e presencial na rede de ensino do Amazonas, alunos e educadores observam uma grande regressão na aprendizagem ocasionada devido a pandemia.

Desde março de 2020, quando toda a rede de ensino do país precisou suspender as aulas presenciais, estudantes do Amazonas foram migrando para plataformas on-line e meios digitais.

Embora em fevereiro deste ano, tanto rede pública estadual quanto municipal tenham adotado alguma forma de educação remota – como plataformas virtuais, sites, aulas pela TV aberta e até uso de redes sociais para transmitir o material de ensino, muitas dificuldades com relação ao ensino foram apontadas.

A dona de casa, Ana Aquino, conta que o filho que estuda na rede pública de ensino, mesmo com o ensino remoto, teve uma defasagem muito grande no aprendizado. João Aquino, de 16 anos, é estudante do ensino médio.

“Acho que nada compensa as aulas presenciais, mesmo com todos os esforços, há prejuízos na formação, ainda mais ele que está no ensino médio. Sem contar que estamos praticamente há dois anos em uma situação completamente diferente”, disse a mãe de João Aquino.

A estimativa é que 4 milhões de estudantes, de 6 a 34 anos, tenham abandonado os estudos em 2020. Desses, mais de 17% não pretendiam voltar a estudar neste ano.

Seja por falta de acesso a qualquer aula, pela dificuldade com o ensino remoto, por não conseguir pagar os estudos ou por precisar ajudar nas contas de casa, o fato é que a trajetória desses jovens jamais será a mesma.

Os dados são de um a pesquisa realizada pela C6 Bank e Datafolha.

A professora de História da rede pública de ensino, Kivia Mirrana, relata que durante o ensino remoto, poucos alunos conseguiam frequentar as aulas por não ter internet.

Agora no ensino presencial, ela conta que o esvaziamento escolar continua:

“Como nós estamos no meio de uma pandemia, eu não posso exigir que um aluno leia um texto do 7° ano, sendo que o 6° ano – momento em que ele deveria estar se adaptando a novas palavras, a uma nova linguagem – foi interrompido”

O pedagogo, Davi Abreu, esclarece que essas dificuldades de aprendizagem podem resultar em um mau aproveitamento escolar e trazer prejuízos a formação: “[A falta] da internet, de ter uma televisão para o aluno assistir as aulas e do acompanhamento dos pais em casa são fatores que contribuíram para o rendimento dos alunos estar bem abaixo do esperado. Nós professores temos feito o que devemos fazer, voltar para assuntos básicos, as sílabas, a leitura”, afirmou o educador.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Unibanco que, em parceria com o Insper mostrou que, além de terem aprendido menos em 2020, esses estudantes entraram em 2021 com uma perda de 9 pontos em português e 10 pontos em matemática na escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Como muitos adolescentes e jovens não se adaptaram ao ensino remoto, o déficit de aprendizagem deve levá-los a perder cerca de R$ 700 bilhões em renda, quando se tornarem adultos.

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Reportagem: Ricardo Chaves
Foto: Agência Brasil