masp tem obra de mulher indígena amazonense

Artista indígena do Amazonas é a primeira a ter obra exposta no Masp em São Paulo

O Museu de Arte de São Paulo (Masp) – um dos mais importantes do país – agora tem um toque da etnia Tukano compondo o acervo. Formada em artes visuais desde 2005, e hoje com 64 anos de idade, Duhigó é a primeira artista indígena do Amazonas a ter a obra exposta no espaço, que hoje possui a mais abrangente coleção de arte ocidental da América Latina.

A pintura que garantiu a entrada de Duhigó no MASP é intitulada de Nepu Arquepu, que na língua Tukano significa Rede Macaco. O quadro foi produzido em Manaus no ano de 2019 e mostra uma cena da memória afetiva da artista: o nascimento de sua irmã.

A cena pintada na obra narra, de dentro de uma maloca o momento do parto até o descanso da mãe na rede recebendo os cuidados dos parentes próximos e do pajé da tribo.

Duhigó conta que, assim como a pintura exposta no Masp, as demais obras são inspiradas nas próprias memórias e no cotidiano de etnias indígenas da Amazônia, em especial no povo Tukano, ao qual pertence a artista.

Para Duhigó, essas obras são uma forma de preservar as tradições indígenas e eternizá-las através da arte. A obra “Rede Macaco” chamou a atenção do Masp durante a Exposição itinerante VaiVém, que percorreu 4 estados do país.

A direção do museu entrou em contato com a Manaus Amazônia Galeria, que representa a artista, e manifestou o interesse em ter o quadro exposto.

O diretor da Galeria, Carlysson Sena, conta que, como o Masp não compra as obras de arte mas recebe doações, um casal de colecionadores, Mônica e Fabio Ulhoa, comprou o quadro para que a artista não deixasse de ser remunerada e doou para o museu:

A obra de Duhigó está em exibição na sede do MASP, em São Paulo, dentro da mostra Acervo em Transformação: doações recentes, e ficará em cartaz até fevereiro do ano que vem.

A exposição reúne 13 obras de artistas incorporadas à coleção do museu entre 2020 e 2021.

Reportagem: Cindy Lopes
Foto: Divulgação/MASP