Especialistas explicam como peixes-bois sobrevivem após soltura na natureza

O Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia prepara a soltura de 13 peixes-bois na natureza a partir desta terça-feira no Amazonas.A ação é a primeira desde que começou a pandemia do coronavírus no Amazonas e vai se estender até sexta-feira (23).

O Programa foi criado em 2008 e reabilita animais resgatados, em sua maioria filhotes. Os animais ficam nos tanques do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Inpa.

Uma ação que estava programada para abril de 2020 teve que ser adiada, e finalmente pôde ser confirmada para este ano, acompanhando a vazante do rio, o estado de saúde dos animais e a diminuição do número de casos de coronavírus.

O biólogo e vice-presidente da Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), Diogo de Souza, explica como funciona o preparo para a reintrodução dos peixes-bois na natureza:

“Eles são encaminhados para um lago de piscicultura em no município de Manacapuru. Eles permanecem em um período de um a dois anos, como se fosse um estágio onde os peixes-bois permanecem para se readaptar às condições do ambiente natural como alimento, a temperatura e a transparência da água e também o contato de outras espécies da região amazônica”, explicou o biólogo.

Outra etapa importante é o monitoramento dos mamíferos após a reintrodução, como destaca Diogo:

“A gente coloca um cinto transmissor adaptado no peixe-boi, em que os comunitários conseguem acompanhar os deslocamentos dos peixes-bois. Esse monitoramento é extremamente importante pois conseguimos confirmar a adaptação dos peixes-bois após a soltura”

Peixes-bois são acolhidos pelo Inpa antes de retornarem à natureza

O processo por si só já complexo e ainda enfrentou uma série de dificuldades para ser realizado, como afirma a bióloga pesquisadora do Inpa e uma das coordenadoras do projeto, Vera da Silva:

“Nossa maior dificuldade é a falta de recursos. A manutenção desses animais é cara. A pandemia, que foi uma surpresa para todos nós, manteve o trabalho remoto”, afirmou a coordenadora.

A cheia histórica deste ano também foi um fator de atraso para o projeto.

O lago de adaptação dos peixes-bois, chamado de semicativeiro, foi inundado e os peixes-bois tiveram que ser levados de volta para os tanques do Inpa.

Conhecidos por serem animais dóceis, os peixes-bois são até hoje vítimas de caça predatória e está na lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção.

Vera destaca a importância da preservação desses animais para o ecossistema:

“Cada vez que perdemos espécies de grande porte com papel fundamental no ecossistema, nós como humanidade, ficamos mais pobres. Qual o direito que nós temos de extinguir ou eliminar espécies que estão ocupando esse ecossistema há milhares de anos?” indagou a bióloga.

Há mais de 35 anos o Inpa realiza esse trabalho com peixes-bois. Durante esse período, mais de 200 desses mamíferos aquáticos foram acolhidos pelo instituto.

De acordo com a Ampa, de 2016 pra cá, já foram devolvidos 31 animais para a natureza.

Nos tanques do Inpa, vivem quase 70 peixes-bois. A prioridade de soltura é para os animais mais novos, que têm mais facilidade de adaptação a natureza.

A soltura de 13 peixes-bois está prevista para ocorrer entre os dias 20 e 23 de julho.

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Reportagem: João Felipe Serrão
Foto: Ampa; APA

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