Marcelo Ramos: “Pela primeira vez na história, temos um ataque que não acaba um polo ou outro, acaba a ZFM”

Marcelo Ramos: “Pela primeira vez na história, temos um ataque que não acaba um polo ou outro, acaba a ZFM”

(Foto: Divulgação/Internet)

O Deputado Federal Marcelo Ramos, vice-presidente da Câmara Federal, disse que as ofensivas do Governo Federal contra o modelo Zona Franca de Manaus são as mais graves já vistas por ele. Em entrevista exclusiva à Coluna de Política de Rosiene Carvalho, no jornal BandNews Manaus desta sexta-feira (8), o parlamentar falou sobre a promessa não cumprida pelo presidente Bolsonaro em relação à redução linear do IPI, sobre o polo de refrigerantes e outros assuntos relacionados à política local.

Confira abaixo a entrevista completa:

Confira abaixo as principais frases ditas pelo Deputado Marcelo Ramos durante a entrevista:

“Pela primeira na história, temos um ataque que não acaba um polo ou outro, acaba o modelo ZFM”.

“Quero fazer apelo para quem apoia o presidente: que mande mensagens para ele, mesmo carinhosas, que ele cumpra a promessa dele com o povo de Manaus que deu 62% de votos a ele. Essa não é uma luta que possa nos dividir porque o que está em jogo é o futuro do Amazonas. Quem acha que deve ser duro, como eu, seja. Quem acha que deve ser carinhoso, seja. Não dá para se omitir”.

“O Polo de Motocicletas e esse exige muita atenção. Porque só uma empresa de motocicletas gera mais de 7 mil empregos. A Honda tem na ZFM a indústria mais verticalizada do mundo . Ela produz 1 milhão de motos aqui. Se nós perdermos duas rodas e bens de informática, isso significa 75% dos empregos da ZFM. É preciso fica muito atento para o que está em jogo nesse desafio. E a justificativa para o presidente não querer retornar o IPI das motos é inusitada. Ele quer fazer um gesto para esse pessoal que faz motociata com ele Brasil a fora. Como se os empregos dos amazonenses, as escolas, os hospitais pudessem estar submetidos às vaidades eleitorais do presidente”.

“Se a gente tivesse perdendo esses postos de emprego para outra área do Brasil ainda teria alguma lógica a fala de Paulo Guedes. A Pepsi saiu e não foi para São Paulo ou Paraná, que é quem briga com a gente nessa questão dos concentrados, elas foram para o Paraguai. Hoje, você tem no Uruguai e no Paraguai ambientes regulatórios, estabilidade jurídica muito maior que no Brasil”.

“Não tenho dúvida que se a Honda sair de Manaus, ela vai para a Argentina, onde já tem uma planta”.

“Está ficando mais barato importar um produto pronto no Brasil do que produzir aqui. Ah, mas fica mais barato. Não é uma verdade absoluta. O problema é que quando eu importo o produto pronto, eu exporto o emprego dos brasileiros. Para produzir em São Paulo, eu posso importar todas as peças da China e até comprar a moto pronta da China. Para produzir uma moto aqui em Manaus, e ter 0 de IPI, tem que cumprir um processo produtivo básico que diz que pneu tem que ser feito aqui, o aro tem que ser feito aqui, o motor tem que ser feito aqui. Isso significa que produzir uma moto na ZFM gera muito mais emprego que produzir uma moto em São Paulo. Ou importar uma moto. Importar gera mais emprego. Na China. Não aqui. Se você não têm pessoas empregadas, não adianta o preço estar mais baixo, porque não tem consumidor”.

Tem elemento novo nas histórias da bancada do Amazonas. Temos dois senadores que são muito influentes em bancadas que, somadas, representam 30% do Senado porque o MDB e o PSD têm 12 senadores, então os senadores Omar e Braga ganham relevância muito grande no Senado. Vou dar um exemplo, ontem, esses dois senadores impediram o quorum na reunião da CCJ (Comissão de Constituição em Justiça) da reforma tributária, porque havia prejuízo para a Zona Franca de Manaus. Como no Senado a diferença de votos é de 2, 3 votos, ter influência sobre 24 votos significa muito.
A outra situação específica e nova não é nem a minha vice-presidência da Câmara é a presidência do Congresso Nacional, que tem como presidente o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e vice-presidente o vice da Câmara que sou eu. Das 27 sessões, Pacheco produziu uma e eu 26, porque ele me chamou e disse: preciso que você cuide disso. O Congresso vota vetos e matérias de natureza orçamentária. O Governo quer votar dois PLN (Projeto de Lei do Congresso Nacional) para movimentar de um ministério para o outro R$ 2,5 bilhões. Já tem duas semanas que eles tentam votar e eu não pauto. Ontem, o líder do governo me procurou e disse: vou até domingo para Brasília pautar, desde que publiquem o decreto como combinado. Eles sabem que não vai ter sessão do Congresso enquanto eles não publicarem o decreto.
“Na sessão passada, eles pediram para tirar o veto da Lei Orçamentária porque o senador Eduardo Braga usou os destaques do MDB e destacou todos os itens dos vetos da Lei Orçamentária. A gente está fazendo isso porque é o instrumento que temos.”