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Frequentadores do Centro de Manaus denunciam aumento da população em situação de rua em 2022

Reportagem: Clara Toledo

Uma breve caminhada no centro de Manaus revela um triste momento vivido pelo Amazonas. Nas ruas, nas calçadas, nos semáforos, nas escadas de prédio e igrejas amontoam-se famílias em busca de algo para sobreviver.

A pobreza que sai das periferias, adentra a rotina de quem transita pelas ruas da capital e escancara uma realidade impossível de não ser vista: o crescimento da miséria.

Aarão é porteiro de um prédio no centro de Manaus há oito anos e relata piora no cenário. (Ouça)

De acordo com informações disponibilizadas pela Secretaria de Assistência Social e Cidadania existem na capital, catalogadas, 920 pessoas em situação de rua. Na prática, esse número é muito maior, pois o levantamento feito pela Semasc não inclui dependentes químicos, pedintes e imigrantes em situação de rua.

A titular da pasta, Jane Mara Silva, descreveu a situação das ruas e as dificuldades encontradas pela gestão. (Ouça)

Segundo a secretária, é difícil traçar um plano sólido para tirar as pessoas das ruas. Além disso, Jane Mara acrescenta que a secretaria incentiva a população a não dar esmolas para as pessoas em situação de rua:

Em contraponto aos dados levantados pela secretaria, os números coletados pela Pastoral do Povo da Rua, coordenada pela Arquidiocese de Manaus, somados, já são maiores que o levantamento trazido pela Semasc.

A orientação da secretária com relação às esmolas é contraposta com a da coordenadora da Pastoral do Povo de Rua, Cássia Silva. Segundo ela, deixar de ajudar a população das ruas não tem efeito positivo e para que fosse eficiente, não poderia ter margem para erro do poder público. A coordenadora ressaltou que viver nas ruas não traz benefícios ou vantagens.

Além da Pastoral, outras ações são organizadas para ajudar a população que está nas ruas. Um só é Plural é um projeto social que distribui refeições para pessoas em situação de rua.

Kércia Lima faz parte dessa ação e conta como o cenário mudou nos últimos anos. (Ouça)

A previsão para o futuro é incerta. A pobreza se enraiza no estado em que quase metade da população, o equivalente a mais de dois milhões de pessoas, são consideradas pobres, de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas.

Sem políticas públicas bem articuladas e direcionadas para a população que vive nas ruas, a expectativa de melhora não está a vista.

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