Turismo em territórios indígenas

Estudo acende o alerta para a questão do turismo exploratório no AM

Antes da efetivação do turismo comunitário, as comunidades trabalhavam com empresas que desenvolviam o turismo predatório e isso comprometia a cultura, preservação das origens nativas e a economia no Amazonas.

Um trabalho desenvolvido na Comunidade Indígena Nova Esperança “Pizasú Sarusaua”, localizada a 80km de Manaus, trouxe a efetivação de um novo modelo, incluindo a participação direta dos indígenas.

As comunidades são protagonistas nas atividades, participando desde o planejamento, construção de roteiros, determinação de atrativos e o tempo estabelecido para visitação.

A mestra em Turismo e responsável pelo estudo, Ana Rosa Proença, ressalta que a legalidade das atividades é o maior incentivo à conservação das Áreas Protegidas.

“Eles recebiam esse tipo de turismo exploratório e conforme eles foram mudando para esse novo tipo de desenvolvimento, eles se tornaram protagonistas dessa atividade de turismo”, disse a estudiosa.

Os visitantes podem, por exemplo, se hospedar para viver a experiência durante 4 dias nas casas indígenas, em contato com a família e as pessoas da comunidade, baseando-se em um roteiro que não altera na rotina da comunidade.

Para a presidente da coordenação dos povos indígenas de Manaus, Marcivana Sateré, o respeito aos direitos dos nativos precisa ser mantido antes de qualquer atividade comercial.

“Não apenas pelas nossas vidas, mas pela garantia das gerações futuras também são importantes. É a garantia de uma vida mais saudável. Temos muito a ganhar com isso, tanto economicamente quanto culturalmente” afirmou a presidente.

O colunista de Turismo e Cultura da BandNews Difusora, Orlando Câmara, também reforça o respeito aos protocolos de visitação.

“É necessária a autorização e regulação da atividade para que não se faça sem um critério” disse Orlando.

Durante o período de restrição das atividades no Amazonas, a ausência dessas visitas comprometeu toda a cadeia associada ao turismo.

As atividades de visitação devem respeitar os protocolos de prevenção definidos pelos especialistas em saúde, desde que as áreas estejam liberadas pelo Órgão Gestor Ambiental das Unidades de Conservação (UC’s) do Estado do Amazonas.

Reportagem: Tawanne Costa
Foto: Leopoldo Silva; Diego Ima