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Estados da Amazônia não elegem indígenas ligados à causa ambiental

Apesar do número recorde de candidatos autodeclarados indígenas nas eleições em 2022,

por Clara Toledo Serafini

Texto: Rosiene Carvalho / Narração: Álex Ferreira

Apesar do número recorde de candidatos autodeclarados indígenas nas eleições em 2022, os eleitores dos estados da Amazônia Legal, onde há a maior concentração de povos originários do país, não elegeu representantes para atuar na proteção do meio ambiente e dos direitos humanos.

De acordo com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em todo o país este ano, foram 186 candidatos autodeclarados indígenas. Em 2018 e 2014, respectivamente, eram 133 e 85.

Entre os sete autodeclarados indígenas eleitos no país, duas candidaturas têm atuação na defesa ambiental e nos direitos indígenas, mas não foram eleitas por quem vive no bioma.

Célia Xakriabá chegou ao mandato pelo PSOL de Minas Gerais e Sônia Guajajara, que é do Maranhão, foi eleita pelo PSOL de São Paulo.

A única eleita para o Congresso com votos na Amazônia foi a bolsonarista Silvia Waiãpi (PL), do Amapá.

O indígena Gersem Baniwa, doutor em antropologia social e professor da UnB (Universidade de Brasília), analisa que existe um autorracismo incorporado na história e a divergência entre indígenas com pautas anti-indígenas tem um precedente histórico.

Os eleitores do Parque das Tribos, na zona Oeste de Manaus, tiveram pela primeira vez o direito de votar na própria comunidade. O local abriga cinco mil pessoas que falam línguas de 20 etnias.

No entanto, o número de eleitores não se refletiu nos representantes dos povos originários que buscam votos, como é o caso do cacique Ismael Munduruku, filiado ao PDT, que foi candidato a deputado federal.

O indígena relata que recebeu poucos recursos do seu partido para alcançar regiões extremas para ter contato com eleitores.

44 votos são disputados por candidatos de dois em dois anos por indígenas e não-indígenas na aldeia Tururukari-uka, do povo kambeba, a 500 metros da rodovia AM-070, no município de Manacapuru, no Amazonas.

Nesse caso, as eleições deste ano tem duas solicitações prioritárias para o povo que ali vive: a construção de uma ponte que facilitaria a locomoção no período da cheia e melhorias na escola indígena.

A liderança indígena da aldeia Marlete Kambeba afirma que só conseguiu mostrar as condições para político não-indígena enquanto só teve contato com candidatos nativos de forma remota.

Em 2022, o bioma brasileiro teve 85 candidaturas indígenas, 47 concorreram por partidos de direita e centro e 38 por partidos do campo progressista, segundo um levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

Este conteúdo teve o apoio do Rainforest Journalism / Pulitzer Center e teve a produção da colunista da BandNews Difusora Rosiene Carvalho e edição de texto de Mauricio Max.

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