Setor da Construção apresenta ao Planalto evidências de abuso nos preços. Alta também afeta o AM

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) entregou ao governo federal nesta semana um documento que reúne evidências sobre abusos no aumento do preço de materiais de construção durante a pandemia em todo o território brasileiro, incluindo o Amazonas.

O material, levado à Secretaria de Advocacia da Concorrência e Competitividade do Ministério da Economia, demonstra causas e consequências para os aumentos e para o desabastecimento, além de apresentar propostas para mitigar os seus efeitos na economia nacional.

Para o presidente da CBIC, José Carlos Martins, o aumento nos preços é resultado da falta de oferta de produtos em quantidade suficiente para atender o mercado, uma vez que foi criado um desequilíbrio artificial por parte das empresas.

“Com a insegurança inicial gerada pela pandemia, em março, foi gerado um falso desabastecimento, que foi sendo aproveitado pelos fornecedores para recuperar preços. Se não houver um choque de oferta urgente, a memória inflacionária irá criar um caminho sem volta para a nossa economia”, disse José Carlos.

Amazonas

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (SINDUSCON-AM), o cenário de aumento dos preços e desabastecimento terá uma série de consequências, como desemprego, aumento do custo das obras públicas e desequilibro de contratos, por exemplo.

“A consequência disso vai ser o retardamento na entrega de obras, desequilíbrio nos contratos, desemprego e não-contratação, porque se você não tem como produzir você não pode manter o colaborador”, declarou Frank.

O presidente do SINDUSCON-AM ainda ressalta a demora na entrega dos produtos para o Amazonas.“No Amazonas temos aqui mais um problema que é a questão da demora. Quando você tem o atraso da produção, somado ao frete que vai demorar no mínimo 20 dias para chegar e mais a burocracia para liberação de produtos, as transportadoras demoram mais do que o usual por conta da grande demanda”, ressaltou Frank.

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Impactos

A CBIC também prevê aumento do custo dos imóveis populares, o que irá gerar a necessidade de aumento de subsídio. Para o vice-presidente da área de Habitação de Interesse Social da entidade, Carlos Henrique de Oliveira Passos, nos programas voltados para esse tipo de imóvel não há espaço para repasse de preços.

“Isso afetará o apetite para novos lançamentos. Para as obras em andamento, como não há correção sobre os valores desembolsados pela Caixa, nossa preocupação maior é pelo impacto no desequilíbrio contratual e eventuais paralisações”, avalia.

Pesquisas

Nos últimos meses, a CBIC realizou duas pesquisas para verificar o que estava ocorrendo em relação ao desabastecimento e ao aumento nos preços dos materiais. A primeira, entre os dias 16 e 21 de julho deste ano, contou com 462 respostas oriundas de construtoras e incorporadoras de 25 estados. A segunda, no início deste mês de setembro, compilou documentos apurados e recebidos das próprias empresas fornecedoras dos materiais.

Por meio das pesquisas, a entidade verificou que durante a pandemia, em especial nos meses de julho e agosto, houve um incremento expressivo nos preços dos materiais, um movimento completamente alheio à realidade inflacionária nacional. Evidências dessa afirmação já são observadas, inclusive, nos indicadores de custos setoriais.

O ‘Índice Nacional de Custos da Construção – Materiais e Equipamentos’, calculado e divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, apresentou um aumento de 4,02% no período dos 12 meses encerrados em maio deste ano. Já no período de apenas três meses, entre junho e agosto, a alta registrada no indicador foi de 3,80%.

Clique aqui para baixar o documento entregue à Secretaria de Advocacia da Concorrência.

Da redação com informações da assessoria

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

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